
Passaporte para universidade estrangeira: Saiba como obter a carta de aceitação de uma instituição internacional
Se estudar no exterior está nos seus planos, saiba que vai ter bastante trabalho pela frente. Não basta apenas comprar a passagem, embarcar e pronto! Uma temporada fora do país não é a mesma coisa que um final de semana no interior ou no litoral. Há diversos caminhos a serem percorridos antes do embarque, como providenciar o passaporte, o visto, o seguro, escolher o curso, a instituição e a hospedagem.
Resumindo: muita burocracia. Quando se fala em pós-graduação, os processos tornam-se ainda mais rigorosos. Fora todos esses detalhes, é necessário ter em mãos a carta de aceitação da universidade estrangeira.
É aí que muitos planos acabam indo por água abaixo. Se o processo seletivo para ingressar em programas de mestrado ou doutorado brasileiros já é difícil, imagine os internacionais. Além de preencher todos os requisitos e as exigências da instituição de interesse, o estudante precisa vencer muitos entraves. "O contato deve ser estabelecido antes da viagem, ou seja, a distância, o que dificulta ainda mais o processo", alerta a presidente do Faubai (Fórum de Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos Internacionais) e assessora de assuntos internacionais da UCS (Universidade de Caxias do Sul), Luciane Stallivieri.
Mas não se engane: sem a carta de aceitação
nada de intercâmbio. O instrumento é o passe para
o ingresso em uma universidade estrangeira e o responsável
pelo andamento de muitos outros processos da viagem.
Alguns países exigem o documento até mesmo para
a concessão do visto. Se seu objetivo é pleitear
uma bolsa de estudos junto aos órgãos brasileiros
ou às agências
internacionais, mais uma vez, a carta é um requisito básico.
Os programas da Fundação Carolina, instituição
do governo espanhol, por exemplo, só consideram as inscrições
dos candidatos que apresentem a aceitação da universidade
estrangeira. E não é a única a adotar esse
procedimento.
Caminho das pedras
O primeiro passo para obter a tão almejada aceitação é listar as universidades e os cursos que correspondam as suas expectativas profissionais e pessoais. Depois, entrar no site da instituição e colher todas as informações referentes à grade curricular do curso, ao processo seletivo e principalmente ao ingresso de estrangeiros. "Esse processo é muito mais fácil e eficaz quando conta com o auxílio de um profissional especializado, que dará ao estudante todas as informações necessárias e o acompanhará durante toda essa caminhada", recomenda a presidente da Belta (Brazilian Educational & Language Travel Association - Associação de Agências de Intercâmbio), Tatiana Visnevski de Carvalho Mendes.
Nesse caso, pode-se consultar as agências de intercâmbio, os órgãos representantes do país de destino no Brasil e os departamentos de cooperação internacional das universidades brasileiras. As feiras de intercâmbio que trazem representante das principais instituições internacionais também podem estreitar a comunicação entre os estudantes e a universidade estrangeira.
Mas se a opção for pelo contato direto com a instituição, sem o auxílio de ninguém, é preciso saber com quem falar. Não basta mandar o pedido ao primeiro e-mail encontrado no site da universidade. Isso só vai atrasar o processo. O ideal é entrar em contato com o departamento de relações internacionais e com o coordenador do curso. "O coordenador poderá dizer se suas características e necessidades correspondem ao curso e a assessoria poderá encaminhar você para o processo burocrático da aceitação", explica Luciane. Não basta o coordenador concordar com a estadia do aluno. È muito importante que isso seja oficializado pela instituição. Por isso, os contatos devem ser feitos simultaneamente.
Além disso, é necessário ultrapassar a distância, o fuso-horário, a diferença cultural e, ainda, as instabilidades dos meios eletrônicos para manter um bom relacionamento e uma boa comunicação com a instituição. "O ideal é não confiar apenas no contato por e-mail. Invista em uma ligação para certificar-se de que a pessoa recebeu a sua mensagem e se você está falando com a pessoa certa", orienta Luciene. "O contato telefônico reforça o seu interesse. E mais, um pequeno investimento pode valer meses de espera", completa.
E não é de uma hora para outra, com uma única ligação ou um simples e-mail que você vai conseguir o que procura. Esse trâmite pode durar dias, mas também pode levar meses para ser resolvido. "Em um mês consegui a carta de aceitação provisória da universidade de Portugal. Isso porque sempre fui objetiva nas minhas mensagens. Esse é o segredo. Além disso, tive a sorte de não ser a primeira estudante albanista recebida pela instituição", relata Flávia. Mas não é muito bom contar com os acasos. Por isso, os especialistas recomendam que esses contatos sejam feitos com pelo menos seis meses de antecedência. E mais, que você não se restrinja só a uma instituição. O seu pedido pode ser negado na última instância.
Por isso, não basta o planejamento e a boa comunicação com a instituição. Muitos outros aspectos também são levados em conta durante o processo de avaliação. Cada universidade segue um procedimento, mas, em geral, todas elas cobram excelência acadêmica, avaliam a formação e o currículo do aluno, além de um bom projeto de pesquisa. Outro requisito básico é o nível de proficiência no idioma estrangeiro. "O aluno deve ficar bastante atento com a documentação exigida, qualquer pendência pode comprometer a sua candidatura", alerta Tatiana.
Fonte: Oriundi (Sexta-Feira - 03/08/2007)
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